“Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho.” (Clarice Lispector)

Simplificar não é perder qualidade, é ganhar essência. Costumamos complicar as coisas pensando em como deveriam ser feitas, atribuindo-lhes níveis de complexidade desnecessários.

Um projeto pode ser apresentado de forma resumida, bem didática e criativa, simplificando um processo que poderia exigir páginas e páginas.

Essa é uma qualidade da simplicidade: fazer coisas tornarem-se mais acessíveis e mais interessantes. Não se trata de simploriedade, escassez de conteúdo, baixa qualidade ou má apresentação.

Simplicidade é um degrau da complexidade.

Quando iniciamos a aprendizagem de qualquer tema da vida, começamos no nível do simplório, no da ignorância. Não sabemos e, quando vemos o que precisa ser feito, julgamo-nos incapazes. Então vamos aprendendo e ganhando mais conteúdo e experiência sobre aquele assunto. Passamos a conhecer muita coisa, mas ainda não temos uma visão completa — estamos no nível da complexidade.

Sabemos bastante, mas temos dificuldades em explicar ou resumir, em fazer mais rápido ou mais eficientemente.Só avançamos quando passamos a exercitar a simplificação, que é o nível do tradutor, do educador, daquele que domina a complexidade e pode controlar a forma como algo será feito. Simplificar é um treino e exige que sejamos capazes de retirar excessos, diminuir processos, encontrar atalhos, reduzir o uso de recursos. Simplificar deve ser um propósito.

Exercite a simplificação e perceba que o tempo se torna mais elástico, abarcando mais possibilidades. Pequenas mudanças geram resultados fabulosamente diferentes. Quem navega sabe que a diferença de um grau, no porto de saída, pode resultar num destino totalmente diferente ao final da jornada. Simplifique um pequeno grau e produza outro destino.

Lauri Cericato – Palestrante, editor, professor, especialista em conteúdos educacionais, formador de professores, consultor e educador financeiro metodologia DSOP.