A história de Irineu Funes é simples, porém desconcertante. Personagem da ficção de Borges, Funes teria tido uma vida comum, sem mais nem menos, como qualquer um. Um acidente, um tombo para ser mais preciso, mudou definitivamente o rumo da vida desse peão de uma estância no sul do Uruguai. A capacidade de tudo lembrar ou, em outras palavras, a incapacidade de esquecer tornou-se a “doença’ de Funes, apelidado de “o memorioso”. Nada, nenhum minucioso detalhe, escapava da implacável memória de Funes. “Sabia as formas das nuvens austrais do amanhecer do trinta de abril de mil oitocentos e oitenta e dois e podia compará-las na lembrança aos veios de um livro encadernando em couro que vira somente uma vez e às linhas da espuma que um remo levantou no rio Negro às vésperas da batalha do Quebracho.” A memória de Funes não tinha limites!

O que tem a ver a história de Funes, passada no final do século 19, com os tempos de hoje na educação brasileira? Tudo! Diria ainda vivemos tempos em que esquecer tudo que ouvimos é perigoso. Os vestibulares recentemente aplicados pelos rincões do Brasil, inclusive o ENEM, podem comprovar esta verdade. Aliás, Funes dizia que antes do acidente “havia vivido como quem sonha: olhava sem ver, ouvia sem ouvir, esquecia-se de tudo, de quase tudo.” Que bom! Esquecer é o processo natural da vida.

Sugiro a leitura na integra do texto: Funes, o memorioso