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Conversando sobre afetividade: os afetos antes, durante e depois do distanciamento social.

Essa semana mediei o debate com a Profa. Dra. Luciene Tognetta sobre afetividade. Para quem não assistiu, recomendo.

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“Eu sei, mas não devia”, de Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

(1972)

Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant’Anna.

O texto acima foi extraído do livro “Eu sei, mas não devia”, Editora Rocco – Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.

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A ‘síndrome do imperador’, quando seu filho é um tirano

O número de casos só aumenta. Em idades cada vez menores: se chama “síndrome do imperador”, e define as crianças e adolescentes que abusam de seus pais sem a menor consciência. A mãe costuma ser a primeira e principal vítima do pequeno tirano, que depois estenderá os maus-tratos a outros membros da família, a não ser que isso seja tratado, como explica o psicólogo José Antonio Ramadán. Causou alvoroço a sentença emitida no ano passado pelo Tribunal Penal número 2 de La Coruña que absolveu uma mãe acusada por seu próprio filho de 11 anos de maus-tratos por uma bofetada. Mas quais são as causas desse mal que transforma a vida familiar em um inferno?

De acordo com os especialistas, existem diferentes fatores que podem coroar um imperador em casa:

Pouca dedicação dos pais. O problema tem sua origem muitas vezes em progenitores ausentes que, para diminuir seu sentimento de culpa pelo tempo que não passam com a criança, lhe concedem todos os caprichos. Com isso transmitem à criança a mensagem de que, apesar de sua solidão afetiva, é o centro do universo e os adultos estão ali para satisfazer todas as suas exigências.

Para ler na íntegra acesse: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/29/eps/1517241117_174147.html?utm_source=Facebook&ssm=FB_BR_CM&fbclid=IwAR0zKHy9g3woipUbVj5oNWiD_VsWzmQoRFgY8RHsdzuRTw3rEdZyT6Pupys#Echobox=1592622621

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“Trabalho de madrugada porque não dou conta de tudo em casa”, a nova normalidade massacra as mulheres

O #FiqueEmCasa sobrecarrega e estressa mais as mulheres. Para os homens, a única mudança de padrão foi sair mais para fazer compras

“Nos meus chats de pais do colégio no WhatsApp, ainda não vi até agora dois pais [homens] comentarem entre si: ‘Vem cá, vai ter casals [curso de férias, em catalão]? Quem vai se matricular?’ Que coisa, né, porque entre as mães não se fala de outra coisa.” Paula é autônoma, tem duas filhas menores de 10 anos e já trabalhava em casa antes da pandemia. Seu marido, assalariado, passou ao teletrabalho desde março, e juntos procuram dividir “meio a meio” a educação e os cuidados com as meninas, assim como as tarefas de manutenção do lar. Ela, entretanto, se sente oprimida por duzentas outras tarefas mentais de controle e administração de seu núcleo familiar. Dinâmicas que já vinham herdadas de muito antes do confinamento. “Aqui tentamos dividir [as tarefas], mas sempre noto a carga mental. Tenho que lembrar o que é preciso fazer para a aula, as senhas do Zoom do teatro de uma das minhas filhas, marcar hora para a revisão no posto de saúde, ligar para o contador etc.. Isto é muito difícil de mudar”, esclarece.

Cristina é assalariada, trabalha no setor da comunicação e também teletrabalha desde março com seu marido e seu bebê de um ano e três meses. Na maioria das noites, depois de pô-la para dormir, decide terminar as tarefas profissionais pendentes. “Eu me pego trabalhando de madrugada porque não dou conta de tudo. De dia minha filha é muito exigente e exige cuidados. Meu marido e eu tentamos nos alternar, mas percebi que de noite encontro mais calma para acabar tranquila o que ficou pendente”, conta. Seu horário noturno não a exime da reunião telemática diária de sua empresa às nove da manhã. Se somarmos horas, quanto dura a jornada profissional de Cristina?

Para ler na íntegra a reportagem acesse: https://brasil.elpais.com/smoda/2020-05-28/trabalho-de-madrugada-porque-nao-dou-conta-de-tudo-em-casa-a-nova-normalidade-massacra-as-mulheres.html?fbclid=IwAR0mlmaRU03If9UZPMatp48dfNhPr1Q69KkYE2xEd_bZFuquHjV_8nRXQGQ

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Síndrome de Procusto: a negação da ciência e a relativização de vidas humanas

Procusto ou Procrustes é um personagem da mitologia grega, que simboliza a negação da ciência e a relativização de vidas humanas.

Procusto ou Procrustes é um personagem da mitologia grega, que simboliza a negação da ciência e a relativização de vidas humanas. Ele vivia na serra de Elêusis, que em sua casa tinha uma cama de ferro, com o seu exato tamanho, para onde convidava os viajantes a se deitarem.

Se os hóspedes fossem altos, ele os decepava para ajustá-los à cama e os de pequena estatura eram esticados até atingirem o tamanho suficiente. O nome Procusto significa “o esticador”, em referência a punição que aplicava às suas vítimas e dizia a elas: “Se você se destacar, cortarei seus pés. Se você demonstrar ser melhor que eu, cortarei sua cabeça.”

Para acessar o artigo na íntegra: https://www.contioutra.com/sindrome-de-procusto-a-negacao-da-ciencia-e-a-relativizacao-de-vidas-humanas/?fbclid=IwAR0Tx8EQw8p7RBoYWcmRxtmpKeKuWoWJ-2Afo73Ui8i4e2i5-sLm4aYpEOY

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Violência doméstica durante pandemia reflete falha educacional

Segundo Eunice Prudente, a causa da violência exacerbada contra a mulher deve ser procurada nas diferenças da educação de meninos e meninas

Dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos mostram que o número de denúncias de violência contra a mulher, através do canal 180, recebidas neste momento de isolamento social imposto pela pandemia aumentou quase 40% em relação ao mesmo mês de 2019. Apesar do crescimento no número de denúncias, o aumento da violência doméstica escapa das estatísticas dos órgãos de segurança pública, uma vez que muitas mulheres não têm como efetuar a denúncia, já que estão convivendo com seu agressor, que, na maioria das vezes, é alguém da própria família. O artigo 226 da Constituição Federal mostra que cabe ao Estado assegurar assistência à família na pessoa de cada um que a integra e criar os mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações. Um dos meios de proteção à mulher é a Lei Maria da Penha.

A professora Eunice Prudente cita que “um dos fatores para que essa realidade de violência ainda exista é a educação diferenciada de meninos e meninas. As meninas são formadas para servir a sociedade e nunca serem protagonistas de sua própria vida. A educação aos meninos é um protagonismo para deixar os outros para trás. É uma competição para vencer sempre. Com isso, muitas formas agressivas são impostas aos meninos”.

Para ouvir a entrevista completa: https://jornal.usp.br/radio-usp/violencia-domestica-durante-pandemia-reflete-falha-educacional/?fbclid=IwAR2jiRL8omWV97VKd67Xk8RoHR_GXXT5dpTxSWeFbZNG01I1qtna0GqhY1c

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A revolução necessária na formação dos professores

Precisamos substituir os discursos sobre a importância dos professores por ações claras e concretas para superar problemas crônicos e emergentes na formação.

Começamos o ano letivo de 2020 acreditando que este seria mais um ano e que daríamos alguns passos certamente lentos em direção ao futuro da educação, que sempre se anunciou como fundamental, mas que também foi retardado ao máximo. De uma hora para outra, no entanto, a vida dos professores foi virada de ponta cabeça com o advento do novo coronavírus (COVID-19) e a pandemia que ocasionou uma mudança drástica em suas rotinas e, também, na das escolas.

Os professores e gestores urgentemente precisaram se reinventar, e de forma muito rápida. Um período difícil, de susto, inquietações, angústias e incertezas, mas que rapidamente se converteu em ação. Esta, por si só, descontrolada, pouco eficiente e sem objetivos claros, mas que aos poucos foi dando espaço a outras mais bem planejadas, estudadas e melhor executadas. Passado o susto, os educadores perceberam que “o avião deveria continuar no ar”. Assim, passamos a viver um novo momento na educação brasileira, o da implantação do ensino não presencial.

Leia matéria na íntegra acessando: https://porvir.org/a-revolucao-necessaria-na-formacao-dos-professores/?fbclid=IwAR003c9T9RZN8yJ1mISbx63XdmTgGoevLiYJfi_B_XEWr7j6FUcdgEpgpr0

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